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15Dez
2020

ENTRAR EM ESPANHA COM MARCA STAR INN

A Hoti Hotéis vai apostar na expansão internacional com a entrada em Espanha. O grupo hoteleiro português, que tem atualmente 17 hotéis no  portefólio, quer levar a marca Star inn até ao país vizinho. A cadeia hoteleira gere, atualmente, apenas uma unidade fora de terras lusas desde setembro de 2018, o Meliá Maputo Sky, em Moçambique, e a estratégia de crescimento internacional está agora alavancada numa perspetiva ibérica.

“Há um conjunto de novas oportunidades que aparecem e que podem significar ter mais localizações com a marca Star inn não só em Portugal, mas também facilita um raciocínio ibérico. A marca Star inn já tem uma determinada lógica de desenvolvimento para que possa ser aplicada num destino que seja próximo e que, de certa forma, crie uma lógica de expansão. Não faz sentido ter um conjunto de hotéis em Portugal e depois  desenvolver unidades numa capital que seja muito distante. É útil crescermos com distâncias geográficas que não sejam muito grandes”, revelou à Publituris Hotelaria Miguel Caldeira Proença.

O CEO do grupo adianta que já foi iniciada a procura de oportunidades em Espanha e que a capital do país, Madrid, ou a região da Galiza são destinos possíveis para a concretização deste salto para fora de portas. “O desenvolvimento do Star inn Peniche foi feliz para permitir fazer aquilo que não acontece com frequência, que é a possibilidade de desenvolver uma marca de três estrelas que funciona no segmento de lazer e no urbano. Isto permite mais flexibilidade no processo de desenvolvimento. Acredito que seja mais fácil segurar um desenvolvimento mais rápido com produtos urbanos e, se for essa a perspetiva, pode fazer sentido pensarmos na Galiza ou em Madrid. Dependerá um pouco das oportunidades que vão aparecendo, é preciso ter sempre em consideração que estamos a falar de um produto com custo controlado e as oportunidades são menores”, acrescenta.

Miguel Caldeira Proença admite que Espanha “é tradicionalmente um mercado difícil” e que, por isso mesmo, a aposta inicial do grupo português pode passar por encontrar ativos hoteleiros prontos a operar. “Não estamos a considerar a questão do desenvolvimento, mas sim formas mais leves e rápidas de entrar no mercado. Pode fazer sentido encontrar hotéis que abandonaram uma determinada chancela e cujos valores fazem sentido para que a marca Star inn possa entrar, sendo que com ela terá de vir um rearranjo do hotel para que seja coerente com os restantes valores da marca”, esclarece.

O grupo tem atualmente três hotéis da marca Star inn em Portugal: no Porto, em Lisboa e em Peniche.

Hoti Hotéis termina ano com quebra global de 49 milhões de euros em receitas
As contas de 2020, que está prestes a terminar, já estão feitas. O grupo hoteleiro encerra o ano com 26 milhões de euros em receitas, uma quebra global de -65% face a 2019, ano em que registou 75 milhões de euros. As consequências da pandemia da COVID-19 que fustigaram a praça hoteleira nacional levaram a Hoti Hotéis a chegar a dezembro com uma receita anual de 10 mil euros por quarto, valor quase três vezes inferior ao de 2019 (29 mil euros por quarto).

As unidades do grupo alocadas nos grandes centros urbanos foram as que tiveram pior performance, com o Porto registar quebras  na ocupação de 77%, e Lisboa e Madeira  de 70%. Já no Minho e no Centro “a quebra foi menos pronunciada, mas sempre superior a 50%”, explica o CEO.

“Entrámos na pandemia com um nível de solidez financeiro interessante o que nos ajudou a controlar o nível de ansiedade e de pânico com  que enfrentámos a travagem gigantesca na procura.  O grupo tinha um rácio de net debt (dívida  líquida/EBITDA) sensivelmente de 1x. Este é um valor interessante em qualquer atividade económica e, no negócio da hotelaria, entendemos que espelha bem o trabalho que fizemos em anos anteriores, no sentido de controlarmos a evolução da dívida e de maximizar o retorno das varias operações que tínhamos”, aponta Miguel Caldeira Proença.

Já com os olhos postos em 2021, a Hoti Hotéis perspetiva, no próximo ano, uma recuperação de entre 40% a 50% do volume de negócios perdido em 2020. “Com o aumento de capacidade que resultará da entrada do Moxy Lisboa Oriente para o portefólio [cuja inauguração está prevista para abril]  passaremos de 2464 quartos para uma oferta de 2686 quartos, e, com essa capacidade total, estamos a fixar o objetivo de fechar 2021 com uma receita global de 50 milhões de euros”, conclui.

Fonte: Publituris